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quarta-feira

O seu santo nome

 Não facilite com a palavra amor. 
(...)
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.
(Carlos Drummond de Andrade)

Visita à casa de Tatá

 ... A casa de Tatá é um silêncio perto da igreja.
Silêncio de lençóis engomados
para sua única pessoa.
A viuvez tão antiga que virou de nascença
derrama brancura em tudo.

(Carlos Drumond de Andrade)

Além da terra

 ...vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver. 

(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira

Quarto em desordem

alexander klevan

derrapei neste amor. Que dor!
que pétala sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não sabe como é feita: amor
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo

verdade tão final, sede tão vária
a esse cavalo solto pela cama
a passear o peito de quem ama.

(Carlos Drummond de Andrade)

o áporo

 Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.

Poema

 Carlos Drummond de Andrade
"O ÁPORO", DO LIVRO (A ROSA DO POVO)

Para mim, é a mais fascinante ,dentre muitas obras poéticas e prosa, de Drummond

a flor e a náusea

  (...)
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
 (...)
(Carlos Drummond de Andrade)

Que virá?

  “E que mais, vida eterna, me planejas?
    O que se desatou num só momento
    não cabe no infinito, e é fuga e vento.”
   
  (Carlos Drummond de Andrade)

o próprio jardim

 Enfeite-se com margaridas e ternuras
E escove a alma com flores
Com leves fricções de esperança
De alma escovada e coração acelerado
Saia do quintal de si mesmo
E descubra o próprio jardim

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira

O mundo é grande.

 O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
 (Carlos Drummond de Andrade) in “Amar se Aprende Amando”

O tempo passa? não passa

 ...O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida....
(Carlos Drummond de Andrade )in “Amar se Aprende Amando”

domingo

Amor é

belugheorghe
 ... Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.

( Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira

madrugada

 Madrugada/uma qualquer /de entre muitas...existe no ar um cheiro estranho
Paulo Tavares, 

Pêndulo
"Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra / e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer. / Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina / e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras".
"esse amanhecer / mais noite que a noite".

Carlos Drummond de Andrade

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